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Shenmue III Edição Deluxe - Shenmue III Edição Deluxe

Shenmue III Edição Deluxe

Análise Sem Paninhos Quentes à Versão PC Com Todos Os DLC

Análise a Shenmue III Edição Deluxe para PC. E porquê só agora? Porque só agora, ou melhor, desde o dia 17 de Março de 2020, é que a edição Deluxe ficou mesmo com esse estado, após lançamento do terceiro e último pacote DLC. Agora é a melhor altura para meter Shenmue III à lupa. Não vou ter paninhos quentes. E aviso já. Sou fã de Shenmue. Comprei Shenmue quando saiu para a Sega Dreamcast. Depois comprei o Shenmue II igualmente para a Dreamcast. Com a morte da consola da Sega e o relançamento do segundo jogo para a XBox original. comprei-o. E posteriormente comprei Shenmue I & II HD Remaster para PC.

Shenmue III Edição Deluxe

A minha análise a Shenmue III Edição Deluxe, versão PC, não vai ter paninhos quentes. Muitos fãs de Shenmue resolveram querer mostrar que são ou que eram mais que outros. E por via de se prostituírem intelectualmente em troca de acesso antecipado ao jogo e até à participação em eventos de apresentação de Shenmue III para grupos restritos de modo a dar a entender que são elite. Mas não são. São aquilo a que se designa de idiotas úteis. Mas mais inúteis. Porque não colaboram para a evolução ou melhoramento de nada. Aproveitaram para encher o ego. E tanto inchou que acabou por rebentar.

Estamos a falar de um jogo de nicho. Um nicho muito pequeno e muito específico. E não serve de trampolim para outros voos. Por esta hora já devem ter percebido isso. Mas a pequenez demonstrada para “fama” é tanta que certamente caso exista um Shenmue 4 já estão a preparar-se para a linha da frente do lambe-botismo. Shenmue precisa de fãs a sério em que o foco é a saga e não o seu ego ou potencial status social ou comunitário.

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O Desenvolvimento Conturbado de Shenmue III

A saída de Shenmue III teve um caminho bastante conturbado. E na frase anterior não estou a incluir os muitos anos de espera para se ter confirmação oficial de que ia existir de facto a terceira parte. A Sega não quis ter nada a ver directamente com a criação deste Shenmue III que temos no espaço digital. Até digo que ajudou com o lançamento do HD Remaster de Shenmue I & II. Mas a actual equipa responsável pelo jogo, à cabeça com o mentor e criador da saga, não soube tirar partido da visibilidade que esse relançamento veio dar para a terceira parte. Os motivos também são vários. Mas a meu ver o principal motivo até é um, senão mesmo o maior, ponto crítico negativo que tenho a apontar a Shenmue III. Mas já lá chego. Tudo a seu tempo. Não estou com pressa e tenho muito tempo e espaço para deixar aqui os meus pensamentos.

Voltando ao desenvolvimento. Isto de misturar crowdfunding de várias plataformas com financiamento mais directo, sendo que de uns lados foi transparente e por outros nem por isso, ficou bonito na teoria. Porque na prática o dinheiro fala mais alto. E um jogo deste calibre, ou o calibre que deveria ter, todos estes anos passados desde os dois primeiros jogos de Shenmue, o facto a retirar é que para fazer parecido não é preciso ou possível com um orçamento menor. Não, não. É preciso ainda mais dinheiro. E uma equipa que saiba programar. E que acima disso saiba programar no motor gráfico escolhido para servir de base ao jogo, uma vez que não foi criado um de raiz. O que é compreensível. Não faz sentido. Ia requerer mais tempo, maior equipa e muito mais dinheiro. E para quê? Para depois não servir para mais nada.

A mudança do Unity Engine para o Unreal Engine como motor gráfico de Shenmue III em si não é, ou não foi,um mal. Acabou a ser porque requereu começar o desenvolvimento do jogo praticamente do ponto zero e também a maior parte da equipa teve de aprender a tirar partido das capacidades e condicionantes específicas do novo software. E como meter este mundo a funcionar por lá. Mais tarde, ou não muito, tornou-se claro o porquê da mudança. Não era uma questão de capacidade de fazer melhor ou mais num ou noutro. Até porque quando se tem uma boa equipa de programadores qualquer um dos motores gráficos acima mencionados concretiza a mais perfeita das visões.

A necessidade do estúdio encontrar um distribuidor viável para Shenmue III ter as esperanças mínimas de ser rentável – porque só o crowdfunding e apoio monetário por parte da Sony não ia chegar para fazer o break-even quanto mais dar lucro – fez com que a ligação à Deep Silver levasse a um negócio de exclusividade temporária com a Epic Games Store para a versão PC. Isto foi o pior dos momentos do período de desenvolvimento do jogo. Muito pior do que receber as notícias de outro adiamento da data de lançamento. O anúncio era de que a versão PC de Shenmue III seria lançada na Steam. E ainda o vai ser. Daqui por mais uns meses. Mas naquele momento o choque foi enorme porque havia no ar ainda aquele desgosto sem grande fundamentação factual de que a Epic Games Store era o grande mal da industria dos videojogos.

Agora isso já passou de moda. Sempre foi mais uma loja digital de videojogos que teve uma entrada bastante agressiva no mercado. E fê-lo sem contemplações ao ir buscar os títulos que podiam e podem fazer a diferença. Na visão da Epic Games Store, mais concretamente dos seus responsáveis, ter Shenmue III, por via da ligação que já tinham com a Deep Silver, era um bom jogo de nicho para atrair clientes pagadores e de outra faixa etária. O problema aqui é que quem deu o seu contributo via campanha de crowdfunding no montante para ter direito a escolher uma versão do jogo e que escolheu PC, vinha explicitamente que era para a Steam.

Muitos foram os jogadores que não gostaram desta mudança. E pior ainda. As tentativas por parte do estúdio e da distribuidora em não querer dar o reembolso, a meu ver justo, porque lá encontraram alguns buracos na legislação de vários países para não o fazerem. Isto só mostra que o dinheiro era algo em falta para aqueles lados, apesar de terem conseguido obter um exclusivo com a Epic Games Store. E aos mais atentos a estes episódios da industria podem-se lembrar que outros estúdios que tiveram situações idênticas a esta deram o reembolso sem problemas. E até não tiveram problemas em colocar nas redes sociais que não se importavam de o fazer porque o montante recebido pela exclusividade de plataforma era tanto que mesmo com as taxas extra a serem debitadas pelo reembolso o negócio continuava a ser financeiramente viável. No caso de Shenmue III ficou claro que não.

Nesta altura reparei que houve um separar de águas na comunidade de fãs de Shenmue. A malta que o ia jogar em consola não se interessou pelo mau precedente e quebra de confiança que isto cria. Para alguns que se consideravam – e alguns ainda consideram – a elite de fãs de Shenmue em consola, que são a grande maioria, até vídeos fizeram a tentar por todas as formas relativizar este assunto. Foi patético ver aquelas figuras a que se prestaram. Não foram idiotas úteis. Mostraram ser uns idiotas inúteis. Tudo bem que se quer o jogo. Mas não pode ser, nem valer, de qualquer maneira. É a qualidade do produto final que fica em risco se passa a mensagem que o consumir está disposto a receber qualquer coisa como produto final. E eu gosto de comprar jogos para ter o direito de exigir qualidade e suporte.

E a tudo isto quero acrescentar o que sempre me deixou de pé atrás com o lançamento e desenvolvimento de Shenmue III. A falta de comunicação regular e efectiva com conteúdo útil e concreto. Poucas imagens interessantes. Poucos vídeos do jogo. Tudo muito em cima da hora para evitar grandes conclusões. Não sei se será um exagero da minha parte. Mas acho que a maior parte das vendas de Shenmue III até ao momento provem das pré-vendas e dos escalões de crowdfunding que davam acesso à escolha de uma cópia para qualquer das plataformas. Ainda no campo das cópias. Inicialmente também foi anunciado que existira uma versão física do jogo para PC. Mas essa dita versão física passou a ter no interior o DVD com o instalador da Epic Games Store e o cupão com a chave de activação de Shenmue III na plataforma digital.

Outro ponto conturbado do desenvolvimento de Shenmue III. Os pacotes de DLC. Faz algum sentido este jogo ter DLC? Não. Ainda mais tendo em conta o tipo de conteúdo que é. Basicamente é conteúdo base do jogo que foi “retirado” para ser vendido como se se tratasse de um real acréscimo. Mas não é. E pior do que isso. Quem participou nas campanhas de crowdfunding para ajudar ao desenvolvimento de Shenmue III com o montante em patamares que dava acesso a uma cópia do jogo não teve direito a aceder a este conteúdo adicional Aliás, nem foi anunciado que iria existir DLC. Daí eu manter a minha teoria que isto é conteúdo base que foi extraído para justificar uma nova “necessidade” de adquirir o extra. Isto sim é esticar a corda e espremer o máximo dos fãs.

Trailer Oficial de Shenmue III

A História

Depois da longa e merecida introdução aqui vamos nós à análise de Shenmue III Edição Deluxe. Não vou falar do desenrolar dos acontecimentos nos dois primeiros jogos. No menú inicial do jogo podem aceder a uma opção que tem um bom resumo dos acontecimentos anteriores. Não é a mesma coisa que jogar Shenmue e Shenmue II. Podem ter a certeza disso. E até digo, sem qualquer exagero, que o terem jogado ou não os anteriores dois muda a perspectiva que vão ter de Shenmue III. Seja positiva ou negativa. Até partilho o meu exemplo em concreto, o que não quer dizer que se aplique a toda a gente. Mas cá vai. Uma coisa muito rápida. Porque é que Ryo ainda tem um penso rápido na cara?

Se não tivesse jogado Shenmue e Shenmue II, e joguei inicialmente cada um quando foram lançados para a Sega Dreamcast, Shenmue III não me ia dizer nada, no sentido de me cativar. Mas mesmo nada. Era um jogo qualquer, no patamar indie, mas que queria ter visibilidade e alcance de público acima da média por apostar numa mecânica de simulador de – ou tentativa de um – mundo-aberto com interactividade extrema, que quer levar os jogadores a repetir caminhos e tarefas de ponto A a ponto B para desbloquear acesso a ponto C e às actividades em ponto D. E Shenmue foi pioneiro nisto, mais concretamente na forma como leva o jogador a fazê-lo. Tal como foi pioneiro noutros aspectos de jogabilidade, que até nalguns casos são erradamente atribuídos a outros falsos originadores disso ou deles. Isto é mais para o campo da análise à jogabilidade de Shenmue III e não tanto à história que o jogo tem para nos contar ou nos conta.

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A Gruta

Shenmue III começa exactamente onde Shenmue II termina. Algum espanto nisto? Não. Pelo menos para mim não. Ryo Hazuki e Shenhua estão juntos numa gruta onde por via de alguma magia, mas não muita, o Espelho da Fénix activa um feixe que causa a ignição numas cordas junta a uma das paredes. Esta ignição causa a iluminação da parede que revela uma réplica em escala gigante de cada um dos Espelhos da saga Shenmue. O Espelho da Fénix e o Espelho do Dragão. Em Shenmue II ficamos a saber qual é a finalidade dos Espelhos. Os dois Espelhos quando juntos e iluminados por baixo revelam um mapa estelar para se chegar a um tesouro. Pelo menos é o que é explicado pelo enigmático Yuanda-Zhu quando é descoberto por Ryo e Ren, num engenhoso esconderijo, no topo de um edifício em ruínas na cidade de Kowloon.

O avanço natural, pelo menos na minha opinião, na aventura de Ryo e Shenhua não começa logo. Ryo insiste em partir na busca pelo pai de Shenhua, apesar deste ter deixado uma carta com as instruções para a sua filha seguir. Instruções essas que lhe pedem que acompanhe Ryo, o portador do Espelho da Fénix, na sua jornada. Mas porque havia Shenmue III de servir para avançar com a saga? Não. Vamos andar de um lado para o outro à procura de alguém que não quer ser procurado nem encontrado. Só para passar precioso tempo. Porquê aproveitar a oportunidade de concretização que este jogo pode ser e ter? Nada disso. Vamos fazer coisas só porque sim. O Ryo está numa fase em que não há pressa em encontrar Lan Di e vingar a morte do seu Pai.

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O Início Da Aventura Na Vila de Bailu

Depois da gruta lá vamos a caminho da Vila de Bailu. É uma nova localização na saga Shenmue. Por isso estava ansioso por lá chegar. Não que estivesse à espera de uma grande área onde fosse capaz de me perder como noutras áreas de Shenmue I e II. Principalmente em Shenmue II, com Kowloon (quarteirões e muitos edifícios) e Hong Kong (quarteirões enormes de Aberdeen). Aqui a ideia foi jogar pelo seguro e não dar muitos motivos para o jogador, principalmente novos jogadores, se sentirem perdidos com um área vasta e com vários pontos de actividade ou interactividade. Contrariamente ao que aconteceu nos jogos anteriores em Shenmue III as localizações são ficcionais. A Vila de Bailu não existe na realidade. Foi criada em Shenmue II mas acabou por ser cortada da versão final do jogo e recriada em Shenmue III.

Há uma coisa que me saltou à vista na Vila de Bailu. As mulheres estão muito carentes. Mal Ryo as questiona sobre algo para a progressão na aventura e elas não escondem que estão com calores e precisam de alguém que as ajude nesse campo. Em concreto querem a ajuda de Ryo. Isto é um aparte. Mas é bastante significativo. Parece que os programadores do jogo estiveram muitas horas agarrados ao código e ficaram com falta de qualquer. E essa falta de qualquer coisa materializou-se na maioria dos diálogos das mulheres da Vila.

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Ryo e Shenhua inicialmente andam juntos na investigação. Com o desenrolar da mesma, ao fim de pouco tempo, ela fica em casa e nós andamos apenas com Ryo pela Vila de Bailu que se vai abrindo à possibilidade de exploração em fases. Isto está bem pensado para os jogadores, quer os novos quer os já batidos em Shenmue, não se sintam perdidos no meio de vários caminhos, habitações e estabelecimentos. Aqui a investigação incide e descobrir pistas sobre o paradeiro do pai de Shenhua mas cedo se percebe que alguém anda à procura de todos os pedreiros da Vila de Bailu e não com as melhores intenções. Aqui Ryo investiga para descobrir quem são os pedreiros, o que têm em comum entre si para serem alvos e quem são os bandidos e para quem trabalham.

Temos o foco da história do jogo completamente alterado. Na minha opinião até demais. Se Ryo é o protagonista principal, porque raio estamos o jogo todo a fazer uma aventura com base na Shenhua. Teoricamente não tenho nada contra. Mas na prática sim porque o jogo não oferece mais do que isto. É andar para não sair do mesmo local. Ryo anda de um lado para o outro a investigar para nada da sua aventura pessoal evoluir de forma significativa. Há momento em que fiquei com a sensação que este jogo mais parece um spin-off para dar relevo a Shenhua, que o merece sem dúvida, mas falha redondamente na concretização disso.

Os Gráficos

Shenmue III tem bons gráficos. Aliás, é a imagem de marca deste jogo. Tudo bem que os dois primeiros já estão algo datados. Não envelheceram muito bem. Mas nem por isso deixa de se perceber a magnitude dos mesmos para a época. Actualmente a tecnologia evoluiu de tal modo que banalizou a capacidade gráfica. Shenmue III está bonito. Quer em Bailu, quer em Niaowu. Principalmente na cidade as coisas estão apresentadas de forma a encher o olho. Mas em 2019 ou 2020 este tipo de apresentação já é banal.

E certo que o Unreal Engine utilizado para fazer Shenmue III não foi explorado na totalidade. Shenmue III pode ter estar apresentação visual, e até superior, sem sacrificar na performance. A performance de Shenmue III

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A Jogabilidade

A jogabilidade de Shenmue III não é uma nova fórmula. Já foi banalizada por outros jogos com maiores patamares de reconhecimento. Shenmue foi pioneiro em muita coisa e não lhe é dado o devido crédito por isso. Teria de ser obrigatoriamente inovadora? Não. Pelo menos para mim não. Mas devia mostrar evolução e uma execução perto da perfeição. Sim, porque não é experimentalismo ou teste. Aqui já é repetir o que foi feito inicialmente muitos anos antes e a industria já teve tempo de maturar e melhorar. Shenmue III não evoluiu. Eu sei que há quem diga que isso foi propositado para manter a nostalgia e a identidade característica.

Mas isso é uma desculpa mal amanhada para justificar ou esconder preguiça, incapacidade técnica, falta de tempo, programadores capazes e dinheiro para sustentar o desenvolvimento deste projecto para os patamares de qualidade mínima que merece. Isto do meu ponto de vista. Vamos em conjunto analisar o que achei dos diferentes tipos de jogabilidade que fazem parte de Shenmue III. Como o jogo é uma mistura de vários géneros e cada um tem as suas distintas características há que as analisar separadamente. E nas que dá para comparar com os anteriores, eu fá-lo-ei.

O tempo continua a ser um elemento central no jogo. As horas do dia passam. Agora a nossa energia vai-se esgotando ao longo do tempo. Em Shenmue III a compra de comida não serve para mero adereço ou gasto de dinheiro. Ryo tem de se alimentar com regularidade para ter a sua energia ao máximo. Isto é uma inovação em relação aos anteriores jogos. E até bem-vinda. gostei desta novidade. Imaginem que estiveram a explorar qualquer uma das localidades para completar alguma missão ou progredir na história. E no desenrolar disso vão ter de combater contra um ou vários adversários. A vossa barra de energia na luta começará tal e qual como estava antes de começar a luta.

Se estavam debilitados por não terem comido nada, então as vossas chances de terem sucesso na luta também estão diminuídas em muito. Isto introduz um novo e interessante elemento de realismo e estratégia. Para comprar comida é preciso dinheiro. Para se ganhar dinheiro tem de se encontrar um emprego ou saber tirar partidos dos vários locais onde existe jogo de sorte ou azar. Que por sua vez ocupam tem do dia no jogo que nós jogadores queremos utilizar para progredir na história e não só.

Em Shenmue I e II era importante, e diria até mesmo fulcral, dedicar uma considerável porção de tempo a treinar Ryo para melhorar os seus muitos golpes de artes marciais. A melhoria da capacidade para desferir ou bloquear golpes era uma vantagem fundamental para ultrapassar alguns adversários. Quer os que faziam parte da história, quer os opcionais para a obtenção de uns trocos extra. Em Shenmue III esta mecânica foi expandida. Pessoalmente gostei desta expansão. Trouxe mais realismo, estratégia e profundidade ao jogo. Igualmente bem-vinda foi a adição da possibilidade de comprar e vestir diferentes peças de roupa. Mas é tudo tão bom e com evolução positiva? Já lá vamos chegar.

Combate e Treino

Esta é uma das tarefas que mais gosto de fazer e vocês também o devem fazer. Estar a treinar e a combater para melhorar o vosso nível de Kung-Fu. Isto é importante para evoluírem a vossa resistência, defesa, ataque e aperfeiçoamento de cada um dos golpes que estão ao vosso dispor. Podem treinar e combater em vários locais quer na vila de Bailu ou em Niaowu. E fazer treinos específicos. é certo que ao fim de um tempo já se torna repetitivo e secante. Mas isso faz parte. E mais tarde vão agradecer quando estiverem em combates em que é necessário terem as vossas habilidades em certo patamar para conseguirem ultrapassar o adversário ou adversários.

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O sistema de luta mudou em relação anteriores dois jogos. O modelo de progressão das habilidades de Ryo até está interessante. E pessoalmente acho que foi um claro passo em frente. Deu mais profundidade e capacidade de personalizar os golpes com os quais queremos abordar cada luta. Mas por outro lado quando se está a lutar temos mais liberdade de movimentos do que nos dois Shenmue anteriores. Não temos aquela sensação de ambiente 3D com forma de luta 2D. Aqui a forma de luta é 3D mas não acho que esteja bem concretizado. Os controlos não funcionam com a fluidez que se exige num jogo deste tipo. Ou na jogabilidade deste tipo. Tentaram, é certo. Mas acho que precisavam de mais tempo para perceberem como o fazer no Unreal Engine 4.

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Os torneios de luta nos locais de treino são uma interessante adição. Mas pecam por ser uma reciclagem de modelos de personagens que já estão presentes noutras zonas das localidades. Apenas mudam a roupa ou a cor da roupa. Porque o modelo é o mesmo. O que mostra aquilo que já disse anteriormente. Vários aspectos do jogo revelam preguiça e mediocridade. E também falta de tempo para criar algo completamente único. Shenmue III merecia melhor neste campo. Pelo menos do meu ponto de vista. E não acho que seja por estar com excessiva atenção ao detalhe. Aliás, um bom jogo faz-se com atenção, muita atenção, a todos os detalhes. É aí que está e se faz a diferença.

Gambling

Tal como existia nos jogos anteriores, aqui os pontos para gambling são mais que muitos. Há para todos os gostos, desgostos e feitios. Para quem gosta e percebe pode ser uma excelente forma de ocupar tempo no jogo a amealhar bastante dinheiro e objectos de colecção para desbloquear itens cosméticos raros e exclusivos. Desde a apostar em corridas de tartarugas, deixar a bola rolar entre vários pinos de madeira para acertarem na ranhura mágica até atirar a boa num prato para ela cair no local certo.

Entretenimento

Para entretenimento existem salões de jogos. Isto sim é o que gosto em Shenmue III e adorei nos dois anteriores. Andar nos salões de jogo a experimentar as diferentes máquinas Arcade e não só. Aqui existem novos jogos que se podem fazer nestes espaços de entretenimento. Um dos que mais gostei é o de estar a ter de acertar com a marreta no momento certo e local certo nos castores ou toupeiras que saem do buraco. Também gostei de um jogo Arcade que mais não é do que uma versão muito curta e plagiada de Virtua Fighter mas com as mascotes de Shenmue III. Isto pode ser jogado no salão de jogos na cidade de Niaowu, perto do Hotel onde Shenhua e Roy estão alojados quando chegam.

Coleccionismo

Tal como nos anteriores, em Shenmue III há muito coleccionismo para fazer. E as recompensas são mais que muitas. Há a habitual compra de cápsulas em vários locais de Bailu e Niaowu. Diferentes colecções que quando completas dão acesso à troca por itens raros ou de elevado valor que podem ser vendidos nos estabelecimentos que os compram. Podem andar a apanhar ervas medicinais para as trocar por medicamentos naturais ou dinheiro. Tenham em atenção que o coleccionismo é importante para acederem a vários golpes de artes marciais que podem fazer a diferença no desenrolar do jogo.

Trabalho

Adoro trabalhar em Shenmue III. Aliás, eu adoro trabalhar no mundo real. Por isso fazer o mesmo num videojogo não faz mal. Adoro estar a cortar lenha com o machado. Não dá muito dinheiro. Mas acho fixe. Há lá coisa mais à macho do que estar de t-shirt suada a partir lenha só porque sim. As fêmeas ficam doidas com tanta masculinidade tóxica num videojogo. Para além de cortar lenha existem outras maneiras de fazer dinheiro. A minha favorita é o retorno de um clássico do primeiro Shenmue. Andar a transportar cargas com um empilhador. Isso só podem ser feito na cidade de Niaowu.

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Os Pacotes DLC de Shenmue III

Shenmue III Edição Deluxe é a versão do jogo que trás todos os DLC’s. Quem comprou esta versão, antes ou na data de lançamento, ficou igualmente com o acesso aos mesmos garantido quando fossem lançados. Quantos e o que cada um trás a Shenmue III é o que vou explicar a seguir. Os pacotes de DLC são iguais para todas as plataformas nas quais Shenmue III está disponível. E mais. Cada um deles pode ser adquirido em separado ou num pacote.

O que é certo é que estes pacotes de DLC cheiram a aproveitamento descarado e ilegítimo do dinheiro dos fãs de Shenmue. Este conteúdo podia e devia estar no jogo base. E mais. Estes DLC’s e o pacote DLC foi adicionado posteriormente como versão de jogo. Mesmo que tenham dado dinheiro na campanha de angariação de fundos para a concretização do Shenmue III, do menor ao maior valor que lhes daria acesso a uma cópia do jogo, essa oferta não garantiu acesso a estes “extras”.

Aqui mais uma vez ficou demonstrada a aparente e constante falta de transparência no desenvolvimento do jogo e comunicação para com os fãs e quem deu dinheiro. E era completamente escusado. A equipa devia ter dito o óbvio. Fazer este jogo precisava de mais tempo, mais dinheiro e uma equipa maior. Como não quiseram dizer isso começaram a cortar nos cantos, como se costuma dizer, e ainda a estar a esconder o óbvio.

Battle Rally DLC

Este, ao contrário dos outros dois DLC’s, não é conteúdo adicional para ser explorado ou aproveitado dentro do jogo principal. Podem aceder a Battle Rally no menú inicial do de Shenmue III. Surge como opção lá. Mas só podem jogar este modo quando tiverem completado o jogo, ou progredido e chegado à localidade de Niaowu. Por isso se a ideia que tinham era de começarem logo a distribuir pantufada sem irem para o jogo principal e chegar à localidade de Niaowu, esqueçam. Vão ter mesmo de andar a explorar e fazer outras coisas primeiro para depois puderem estar entretidos com este modo de jogo.

Em concreto, este DLC abre-nos a porta para dois mini-jogos que têm como local Bailu. Num, que dá o nome a este modo de jogo/pacote de DLC temos um circuito, que é como se uma pista se tratasse dentro de Bailu, e ao estilo Daytona USA, vamos a percorrer um caminho e por ele temos vários adversários para derrotar. Cada adversário apresenta um determinado grau de dificuldade e a vitória sobre o mesmo acrescenta uns preciosos segundos adicionais ao cronómetro até se atingir o próximo checkpoint ou a meta. Podemos seleccionar uma de três personagens para jogar este modo. São elas Ryo, Ren e Wei.

Dentro deste DLC existe ainda outro modo de jogo em que Ryo é colocado na Vila de Bailu a ter de encontrar um elevado número de bonecos de uma mascote do jogo. É engraçado de se fazer um par de vezes mas depois cansa. É aquele conteúdo para encher e disfarçar as atenções. Não foi preciso a equipa perder muito tempo a fazer isto. Mas pronto.

Story Quest Pack DLC

Basicamente este DLC é estupido. Podia muit bem fazer parte da história base do jogo. E faz. Mas resolveram extrair para vender como algo extra. Enfim. tanta coisa para estar a repetir o que se fez nas localidades de Hong-Kong e Kowloon em Shenmue II quando se procurava por Yuanda Zhu. Aqui temos novamente a possibilidade e estar horas a fio à espera do contacto do enviado do Yuanda Zhu assim que se colocam várias tigelas de determinada forma em vários restaurantes, cafés e casas de chá.

Big Merry Cruise

O Big Merry Cruise é um enorme Barco que atraca na cidade de Niaowu. Isto se tiverem este DLC adquirido. Mais não é do que um Casino e Salão de Jogos adicional nesta localidade. Tem os seus prémios e personagens para interagir. Mas não acrescenta nada de significativo. Para mim este é um dos claros exemplos a comprovar que este conteúdo podia muito bem estar disponível na versão base e aquando do lançamento do jogo. Mas foi extraído para criar a ilusão de estar a criar valor e profundidade adicional. E não o faz.

Shenmue III Deluxe Edition 1 - Shenmue III Edição Deluxe

A Banda Sonora E Som

Os diálogos continuam a ser aquela coisa. Shenmue III não evoluiu nesse campo. O que é uma pena e imensa oportunidade perdida. Não existem desculpas para isto. Muitos são os jogos indie com voz e os actores que as emprestam fazem excelentes trabalhos e mostram todo o seu valor. Aqui não. E dizerem que é para manter as coisas fieis ao original, estão a delirar por completo e a querer justificar o injustificável. Não me venham com a conversa de que é para manter a consistência com os dois jogos anteriores. Isso é estar a desculpar preguiça e mediocridade. Não se admite. Isso faz com que o jogo perca valor.

No campo da banda sonora estar perante muito reaproveitamento. Lá está, tem a sua piada, mas depois percebe-se que isso é preguiça e mediocridade. Não tiveram tempo e também a vontade para ter tempo para fazer bom e bonito. E estes pequenos grandes detalhes não me escapam. E não invento desculpas para eles. Vocês se são faz de Shenmue deviam exigir excelência. É isso que se quer. É o patamar mínimo para este jogo. E atenção que não é a questão da música ser má ou estar fora do contexto do jogo. É que são reaproveitamentos descarados.

Num aparte que não tem directamente a ver com a banda sonora e som, mas merece o meu olhar. A tradução para língua portuguesa dos diálogos – em texto – não é a melhor. Nos menús e opções aceita-se perfeitamente. Agora durante o jogo em si, a legendagem, não é a melhor. Não acredito que esta tradução tenha sido feita por uma empresa ou grupo de profissionais.

Em Conclusão

Shenmue I e II eram jogos de categoria AAA. Shenmue III é um jogo indie que quer passar por AAA. Mas não é AAA. Por momentos parece que o seu desenvolvimento, por toda a experiência que dá, foi o resultado de um grupo de aprendizes de game development que estiveram reunidos para criar algo mínimo com ferramentas de topo. Mas não houve tempo nem dinheiro para mais. Tempo poderia haver. Mas para haver mais tempo era preciso ainda muito mais dinheiro. Shenmue III é isso mesmo. Falta de dinheiro.

Mas sai para cumprir um calendário que apesar de desejado por fãs, a mim sabe a muito pouco. Passava bem sem isto. E digo-o depois de o jogar. Não senti nenhuma satisfação final. Senti sim que cumpri a minha parte em jogar Shenmue III. Não senti, como o queria, que Shenmue III veio mesmo preencher a lacuna que faltava na saga. Este jogo é a mostra do querer fazer por fazer. E depois não se percebe, afinal, para quem é que quer agradar. Naquilo que pretende ser um passo em frente a si próprio fica pela base. Naquilo que quer ser fiel a si mesmo mostra falta de esforço, empenho e dedicação.

Shenmue III Edição Deluxe 3 - Shenmue III Edição Deluxe

Vale a pena comprar Shenmue III? Se és fã da série e queres mesmo jogar, sem estares com grandes expectativas, é capaz de valer a pena. Mas não ao preço a que está actualmente (à data de escrita e lançamento desta análise). Por isso aconselho a espera por uma baixa, natural, de preço. Por quer a versão simples, quer a versão deluxe com todos os DLC não vale o preço cobrado. Para mim não vale. E se antes soubesse o que sei agora não o teria adquirido nesta altura. Não o adquiri logo aquando do lançamento, apesar de ter imensa vontade, por ter sido anunciado que iam existir pacotes de DLC lançados espaçadamente. E isto de Shenmue III ter DLC’s é outra coisa que não percebo. Acho que é conteúdo que devia fazer parte do jogo base. E parece que foi tirado de lá para justificar existirem vários patamares de preço de modo a aumentar a receita.

Não era esta a experiência que queria para um Shenmue III. O jogo é um arrastar de pés de si próprio. Até me causa algum mau-estar por não querer correr riscos. É preguiçoso na sua apresentação e execução. Se és um jogador casual então passas muito bem sem Shenmue III. É um jogo de nicho. E não há meio termo. Esta saga tem essa característica. Ou se gosta ou se detesta. Yu Suzuki, se era para isto mais valia ficarmos com Shenmue III no mundo dos sonhos. Pelo menos é a minha opinião.

Haverá Um Shenmue 4?

Do meu ponto de vista isso estará dependente das vendas. Normalmente um sequela está sempre dependente das vendas, é certo. Mas também é certo que Shenmue é a excepção que confirma a regra. Porque a levar isso em conta não estaria aqui este texto e nós – os fãs – estaríamos ainda a pedir a terceira parte. Shenmue 4 será uma realidade ou não consoante o conjunto das vendas para cada plataforma que Shenmue III conseguiu e conseguirá. Há para PC via Epic Games Store, há para PlayStation 4 e XBox One. Falta ainda um lançamento muito importante. A versão PC para Steam.

Do meu ponto de vista o balanço final sobre Shenmue III será feito cerca de 15 meses depois do lançamento da versão PC/Steam. Com todos esses números vai ser possível à Deep Silver perceber se o investimento no jogo, e tendo em conta a subtracção do montante amealhado por via de crowdfunding, deu lucro que compense pensar em investir mais dinheiro na quarta parte de Shenmue. Se a ideia fora estar 3 anos a fazer mais do mesmo prefiro que não exista o quarto jogo. Se for para elevar os padrões em relação aos vários pontos fracos de Shenmue III terei todo o gosto em ser comprador de Shenmue 4.

Shenmue III Edição Deluxe

Eu avisei que a análise não ia ter paninhos quentes. Mas esta é a minha opinião sobre Shenmue III Edição Deluxe. Qual é a tua? Achas que vamos ter Shenmue 4? Podes deixar o teu comentário em baixo na caixa. Tenho todo o gosto em ler e responder. Podes igualmente seguir-me nas diferentes redes sociais onde estou presente. Coloco para lá vários tipos de informação e conteúdos.

Faço livestreams regulares na Twitch. Por isso passa por lá e segue o canal. Interage no chat da transmissão. No Instagram meto clips, fotos e vídeos variados com regularidade. No Facebook coloco clips e textos variados com regularidade. No Twitter digo umas coisas por poucas palavras, porque há uma limitação de caracteres. Podes também dar as tuas sugestões para outros jogos que eu deveria fazer uma análise. Fica bem! Espero ouvir de ti brevemente. Até ao próximo artigo!

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